“Motherfuckers never die.”
Luís Dias de Carvalho, 29 anos
Work by Pauliana Valente Pimentel realized in July 2012
within the frame of Sweet & Tender / On. Off Laboratório de Criatividade Urbana (Urban Cerativity Laboratory),
Guimarães 2012 programme project.
«Confessionário: lugar onde o sacerdote ouve confissões; tribunal de penitência.»
(in Novo Dicionário da Língua Portuguesa, Texto Editores)
Parafraseando a oração da Igreja Católica, «eu, jovem, me confesso» é o que estas imagens de Pauliana v. Pimentel parecem quer transmitir. O pecado, entenda-se aqui na sua acepção metafórica, esse, será, porventura, o de existirem neste tempo incerto, indefinido, em que a velocidade dos dias teima em diluir as causas e os valores. Os retratos destes jovens, seduzidos pela câmera de Pauliana V. Pimentel, qual sacerdote, numa intensa entrega e cúmplice partilha de vidas, confessam, também, esse (sempre) aparente paradoxo que é a juventude: a força da vida, a sensação de imortalidade e de eterna possibilidade, com a insegurança do emprego, a instabilidade de uma sociedade distinta da que sonharam, e de um futuro que está ainda por construir. A rebeldia, a insatisfação, a crença absoluta no sonho, a vontade de lutar pelos ideais olham-nos de frente e fazem-nos voltar a acreditar que podemos dar “ao mundo um mundo novo”. A penitência, como remissão dos “pecados”, essa depende apenas de cada um. Porém, os retratos de Pauliana V. Pimentel clamam a nós, publico, não por clemência, mas por verdade. Uma verdade que se sente nos olhares dos retratos. Uma verdade emergida pela sensibilidade e capacidade artísticas de Pauliana V. Pimentel. Uma verdade humanista, «por sua culpa, sua tão grande culpa».
Lisboa, 25 de Julho de 2012
Ana Matos
(Directora artística da Galeria das Salgadeiras e Curadora)

















